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Altinópolis, Segunda-Feira, 20 de Agosto de 2018
Com 62,5 mil homicídios, Brasil bate recorde de mortes violentas

06 de Junho de 2018



 O Brasil registrou a marca histórica de 62.517 mortes violentas intencionais em 2016 e, pela primeira vez na história, superou o patamar de 30 homicídios a cada 100 mil habitantes. Os dados são do Ministério da Saúde e fazem parte do Atlas da Violência 2018, divulgado nesta terça-feira (5) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo o estudo, o indicador corresponde a 30 vezes a taxa de assassinatos da Europa.



Em 2016, o país registrou uma taxa de 30,3 mortes intencionais por cada 100 mil habitantes --em 2015, esse índice foi de 28,9. Até então, a maior taxa já medida no Brasil tinha sido registrada em 2014, quando alcançou 29,8 mortes intencionais por 100 mil habitantes. O Atlas traz dados de 2006 a 2016, último ano com dados disponíveis para o levantamento. Nesse período, 553 mil pessoas foram mortas de forma violenta no país, o que inclui assassinatos, latrocínios e morte em decorrência de intervenção policial. No período, os homicídios cresceram 13,9%.



De acordo com o levantamento, 71,5% das pessoas que foram assassinadas no país em 2016 eram pretas ou pardas. O estudo revela que, em 2016, a população negra registrou taxa de homicídios de 40,2 mortes por 100 mil habitantes. O mesmo indicador para brancos, amarelos e indígenas foi de 16 mortes por 100 mil habitantes. Para o pesquisador e coordenador do Obvio (Observatório de Violência Letal Intencional), ligado à Ufersa (Universidade Federal do Semi-Árido), Ivênio Hermes, o país teima em não dar atenção a problemas sociais que levam à violência. Ele considera que o resultado do Altas da Violência 2018 foi um "tapa na cara" das autoridades. "O Brasil não freia as mortes porque não investe em políticas para segurança, só investe em policiamento de vitrine, aquele para mostrar que está fazendo, como a intervenção no Rio de Janeiro. É tudo de fachada", disse.



Hermes alega que outro grande problema é a precariedade na elucidação desses crimes. "Não se investe em investigação, em polícia civil, e os governantes só querem saber de farda, que gera a falsa sensação de segurança. Como não investe em investigação, cria-se a impunidade e isso gera mais homicídios."



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